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Equipe Patrimônio Para Todos – Aracati – E.E.M. Barão de Aracati

Ana Carolina Rodrigues

Bruno Felipe Silva

Nabir de Jesus Santos

Jocélia Maria Cunha da Silva

Carlos Alberto


Nossos dois dias de caminhadas pela cidade de Aracati renderam boas histórias e muitas alegrias. Todos os locais visitados nos trouxeram experiências incríveis. As pessoas, objetos e a arquitetura mexeram com a percepção de todos nós.

Sexta feira, 10/12/2010, último dia de aulas do Projeto Patrimônio Para Todos em Aracati, algo novo aconteceu… Não passamos despercebidos por nenhuma rua dessa pacata cidade. Estivemos onde jamais imaginaríamos, sentimos os melhores sentimentos, aprendemos lições de vida. O sonho de ver um Brasil diferente parece não ter chegado ao fim. Nossos guerreiros que o digam. Promoveram uma verdadeira revolução em pouco tempo, na cidade e em si mesmos. Dizem que ‘alegria de pobre dura pouco’.  Mas o que dura pouco mesmo são as aulas do Projeto Patrimônio Para Todos. Em uma semana de atividades vimos vidas de jovens se transformarem através da educação. Imagine se tivéssemos mais tempo disponível. Seria demais!

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Amanhã, Sábado, é o dia das Caixinhas da Memória. Estamos ansiosos para descobrir mais um pouco da intimidade dos nossos corajosos alunos. Será um encontro e despedida ao mesmo tempo, a saudade já é grande. Mais o que ficar é infinitamente válido, lições de preservação, cultura, patrimônio, respeito. Isso só foi possível com o que move o mundo e que usamos a semana toda como ‘combustível educacional’, o amor. Tanto ao propósito do projeto quanto a quem o faz, vocês, alunos, estarão sempre em nossos corações.

 

 

em uma das aventuras que tivemos com o Projeto Patrimônio para Todos em Aracati, fomos buscar o primeiro a primeira cacimba que a cidade possuiu. Ela ainda existe mesmo que bem degradada, ela é chamada de a Cacimba do Povo. É uma cacimba com formato quadrado que distribuía água através de torneiras que existiam tanto nas suas laterais quanto na frente que dava para a rua. Essa cacimba era há muito tempo atrás o único lugar onde se podia coletar água para dar de beber a animais, pessoas e para lavar roupa. A Cacimba do Povo se localiza no terreno de José Freire de Andrade, pessoa de grande valor para a sociedade aracatiense. Hoje infelizmente, a cacimba se encontra abandonada e desativada. Conversamos com uma das moradoras próxima à cacimba e ela disse que é uma pena a cacimba não funcionar mais, pois apesar de a comunidade possuir água encanada, de vez em quando a água falta e a população não tem como conseguir para os afazeres domésticos durante um dia inteiro. A Cacimba do Povo em ruínas sustenta ainda um pouco da história dos aracatienses. Suas paredes são incríveis testemunhos de uma época passada que tenta encontrar seu lugar no presente e quem sabe no futuro. Torcemos para que a Cacimba do Povo seja reativada, já que recebe inúmeras visitas de turistas, pesquisadores e estudantes que querem conhecer um pouco de como viviam os antigos aracatienses. Os projetos que foram realizados para solicitar a reativação da cacimba não surtiram efeito, mas a cacimba resiste e persiste fornecendo história, onde antes fornecia a água da vida.

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Na Fábrica de Castanhas, fomos recebidos por Nélio um dos funcionários de lá. Ele nos informou que a fábrica realiza um dos trabalhos com a castanha, que é o de retirar a película. Conversamos com algumas castanheiras que estavam trabalhando e elas nos mostraram como se faz para fazer isso de maneira prática. Elas usam uma faquinha pequena de cabo de madeira e lâmina quadrada que é amolada somente de um lado, em que a castanha é raspada até sair toda a casca fina. É mais fácil de tirar a película quando está mais quente, pois no frio a castanha fica úmida e a casca adere muito à castanha, dificultando a qualidade do serviço. Dona Cecília é uma das castanheiras. Ela conta que era artesã de palha, mas que teve de ir trabalhar na fábrica pois não tinha como se sustentar com o artesanato. Apesar de gostar muito de fazê-lo, ela conta não pensa mais em voltar a fazer artesanato, pois não tem quase nenhum lucro, o que é muito triste pois ela aprendeu isso com sua mãe e não repassará para seus filhos. Dona Cecília para ir trabalhar anda todos os dias vinte minutos até a fábrica.

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Você já entrou em um castelo? Nós já! Hoje fomos ao Bairro do Castelo com a turma da tarde. Lá existe mesmo um castelo. Trata-se de um casarão que preserva características rústicas e ao mesmo tempo clássicas. Desde as escadarias até o formato do telhado, o castelo traz certo ar de mistério. Conversamos com a D. Irismar Barbosa Gurdulino, atual proprietária do castelo de um grande terreno existente para os fundos. Ela nos conta que a casa é envolvida por mistérios e personagens folclóricos que de vez em quando aparecem causando um reboliço.

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Os alunos ficam surpreendidos com o lugar e logo começam a explorá-lo. Adentramos no castelo e muitas histórias são contadas, todas com muito suspense. Existe um cômodo da casa que abrigava uma antiga escada giratória que nem existe mais de tão antiga, só restou apenas a base. Mesmo assim numa escada improvisada subimos ao sótão e nos deparamos com um cômodo no mínimo inspirador. De suas janelas se via todo o terreno em volta e a rua. O quarto possuía uma energia indescritível, alguns alunos se sentiam mal ao subir até lá, outros disseram que o ambiente era maravilhoso, trazia paz. Enfim, foi um dos locais que mais marcou os agentes patrimoniais. Agradecemos a D. Irismar, seu esposo e sua família pela hospitalidade em seu exótico lar. Afinal, morar em um castelo não é pra qualquer um, não é mesmo?! Rs.

 

Como todos sabem a Matriz de Aracati é uma das mais belas que existem no Brasil. É do Séc. XVIII e tem em suas paredes não só as conchas do mar, mas muita história a ser contada. A primeira igreja de Aracati e a principal está em restauração e a equipe que participa desse trabalho tem muita satisfação em ajudar a preservar um dos patrimônios da cidade. Eles são uma equipe de rapazes aracatienses que participaram de vário outros restauros com da Igreja do Bonfim, o Museu Jaguaribano e a Igreja do Nincho. Hoje realizando os trabalhos de pintura na Matriz eles afirmam ter muito orgulho de fazer o que fazem. E podem ter certeza, eles realmente fazem com um carinho tremendo. Conversamos com dois rapazes da equipe: Ramisés e Ronaldo. Eles nos explicaram como funciona a obra e nos receberam muito bem assim como todos os outros restauradores da equipe. Obrigada a vocês por darem seu suor e talento para presentear Aracati com uma Matriz mais conservada e cuidada.

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Visitamos pela manhã a Comunidade Católica Shalom de Aracati. A comunidade oferece atividades de ressociabilização de jovens dependentes químicos e com problemas emocionais.  Fomos muito bem acolhidos pelo responsável do local. Logo preparamos as máquinas e os alunos para entrevistá-lo. O coordenador nos conta que jovens vão até a comunidade a fim de buscar reabilitação antidrogas e álcool e o mais importante, paz espiritual, claro. Ele relata alguns problemas do cotidiano vividos por famílias que se desentendem e de pessoas que pensam que não têm mais perspectiva de vida e ao encontrar o Shalom renascem com uma nova esperança de mudança. Entrevistamos também um rapaz chamado José Ricardo dos Santos, 22 anos, tímido frente às câmeras o internado nos conta um pouco da sua vida e nos emociona com seu depoimento cheio de melancolia. Há aproximadamente um ano e três meses sóbrio Ricardo fala com um enorme sorriso no rosto que é outra pessoa e que o Shalom, o apoio da família e Deus o resgatou de se findar na sarjeta. Shalom seja louvado!

 

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